Disciplina

Vou contar um causo: há alguns dias, comecei a fazer um exercício interno de disciplina. Comecei a lavar toda a louça da pia antes de dormir. Deixa eu explicar: solteiro, morando sozinho, com lavalouça, alergia a sabão e funcionária duas vezes por semana. Mas incomodado com aquela louça, às vezes dois pratos, esperando o dia seguinte ou a máquina encher.

Até que eu me enchi! E comecei a perceber as pequenas grandes coisas que às vezes deixamos para o dia seguinte. Emails, recados, mensagens, insights, desejos, sonhos, propósitos … Porque amanhã será um novo dia. Mas … e se o amanhã não existir? E se hoje for o primeiro e o último dia desta vida, a vida do aqui-e-agora?

Nisto, eu comecei a lavar a bendita louça todos os dias. Hoje passei o dia em casa, ainda absorvendo tanta coisa acontecida desde a viagem do 11:11, começando a compreender tanta coisa… Olhei a louça, pensei na funcionária que, daqui a pouco, chegará … Aí os pensamentos invadem: deixa que ela lava, está tarde, hora de dormir, coloca na máquina, você está cansado, a casa está toda limpa - deixe que ela tenha alguma coisa a fazer.

E aí eu entendi a lição da disciplina. A louça poderia perfeitamente ser lavada amanhã de manhã pela empregada. Mas sou eu quem não quer dormir com a pia da cozinha suja.

Valeu o dia. Porque assim como é em cima, é embaixo. Como é fora, é dentro de mim. E vou dormir tranqüilo mais uma noite, sem pendência, sem louça na pia, feliz de terminar mais um dia. Para começar o amanhã sem o peso do ontem mal resolvido. Limpo, leve e solto.

E a sua louça, como vai? E a louça interna???

Aquele abraço,
Alê

2 Responses to “Disciplina”

  1. Cris Boog Says:

    que budista isto…
    dizem os budistas que todos nós devemos pensar na morte trës vezes ao dia. Para nossa alma ocidentalizada isto pode até parecer um pouco mórbido, ou negativista.
    Mas eles estão falando sobre não deixar a louça sobre a pia, a calçada por varrer, o amigo sem um abraço.

    Viver sem pendências, sem pegadas.

  2. Felipe Soares Says:

    No Xamanismo fala-se muito disso também….
    Dom Juan, das histórias de Castañeda falava muito em se ter a morte como conselheira… viver como um guerreiro, ou seja, como se cada momento fosse o último, sem deixar nada por resolver.
    Acredito que isso tem tudo a ver com liberdade!

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